sábado, 5 de setembro de 2009

De Pais e Filhos




By Diler


Cadore abraçou seu filho Raul chorou, levantou as mãos para o céu e indagou, “onde foi que eu errei?”
A cena me levou a refletir sobre a evolução das relações entre pais e filhos; do homicídio consentido, quando pais espancavam seus filhos até a morte, no século XIX aos dias de hoje, onde pais socorrem seus filhos, mesmo quando cometem os piores crimes, e ainda se sentem culpados, achando que falharam.
Sou da chamada “Geração coxinha de galinha”, na qual o cobiçado pedaço da penosa era do pai, afinal ele era o provedor, o caçador, quem saia para trabalhar, enfrentar o mundo, trazia para casa tudo de que precisávamos e portanto a coxinha era dele, ninguém tinha dúvidas.
Quando finalmente fui pai, a coxinha trocou de mãos, agora pertencia aos filhos, afinal não queríamos criar seres revoltados, frustrados, humilhados pela falta da coxinha no prato.
Assim, passaremos pela vida sem provar do privilégio da coxinha…
Isso pode soar como queixa, mas não é, bem pelo contrário, agradeço aos meus pais pela educação que recebi e tenho orgulho dos filhos que criei, são meu maior tesouro e vê-los voar alto é meu prazer.
Constatar a possibilidade de que a geração dos meus filhos possa finalmente, compartilhar a coxinha com meus netos, sem privilégios nem culpas, me dá alegria e me faz pensar que valeu a pena.
Foto do Google
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7 comentários:

Elaine disse...

Olá!
Este é um comentário-convite.
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Elaine

Chica disse...

Também participei dessa geração da coxinha para os mais velhos.Com os filhos,já que eram 4, sobrava a ainha pra mim, ainda bem que gosto dela,rsrs...Mas tudo foi legal...Dias de nem coxinha, nem asinha, mas seguimos todos e estamos bem.Lindo post!abração,chica

Luciana P. disse...

Puxa, Diler, que texto apaixonante. Faz pensar sim. E é exatamente o que você disse: a coxinha de galinha era do pai, e depois, mudou para os filhos, e como será com os netos? É uma ótima pergunta, sem dúvida.
Torçamos para que haja uma comunhão entre pais filhos, e sem culpa, como você tão bem argumentou.

Beijos e parabéns pelo texto

Cinria disse...

Pai...Com certeza ter tu e a mãe como exemplos, me faz ver quão maravilhosa e essa relação de pais e filhos e o quão prazeroso será para mim, a averntura de ser mãe...

bjss

Max Coutinho disse...

Diler,

Que analogia linda! É verdade, já lá vai o tempo em que o Pater Poter era tudo (e ficava com a coxinha). Hoje, a coxinha é partilhada com os filhos e, se brincar, a mãe (Mater) é que tira a primeira coxinha (para depois partilhar com as crias).

Para mim, a próxima geração merece tudo: por exemplo, se eu for mãe os meus filhotes virão em primeiro lugar (eu passarei para segundo plano - no contexto da coxinha); quando tiver netos, estes é que virão em primeiro lugar, os filhos em segundo e eu em terceiro. Se eu vivesse para ver os meus bisnetos, o mesmo repetir-se-ia.
O futuro são os filhos, e por isso o melhor deve ir para eles ( primeiro lugar) para que eles também aprendam esta mesma lição - de que devemos estar sempre de olho no futuro, na evolução.

Não sei se estou a fazer sentido (está um calor desgraçado, e não consigo pensar bem sob tais condições climatéricas lol).

Um abraço e amei o texto!

Christian disse...

Pai, obrigado pela coxinha!
Ainda bem que agora podemos comprar a bandeja so com elas ne!? Coxinha pra todo mundo mesmo que seja frango de 28 dias e nao uma galinha dessas que tu tens ai fora.
Mas com certeza teu exemplo de sucesso guia as nossas vidas e enriquece a nossa alma. E o sucesso, que todos procuram, e isso que voce encontrou: paz, alegria e a certeza te ter chegado ao lugar que deverias estar percorrendo as estradas que escolhestes e colhendo os frutos de amizade e amor que espalhestes por todos os lugares onde estivesse.
Este e o exemplo de sucesso que tento seguir.
Um abracao!

Adriana disse...

OI Diler,
Maravilhoso o texto!
É um privilégio para qualquer um ter um pai que pensa dessa maneira...
Sou da geração que comi a coxinha,e quando tiver meus filhos terei o prazer de ver a coxinha dividida entre todos. Essas duas gerações foram de extremos e espero que as próximas sejam de equilíbrio.

Parábens!