quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Canário





É primavera
Canário da Terra
Ouro cantador

domingo, 23 de novembro de 2008

Torneira aberta



Lembro quando a avó da minha mulher faleceu, tinha 96 anos…Minha sogra foi quem cuidou da vovó nos seus últimos anos de vida, e lembro bem que muitas vêzes a falecida esquecia a torneira aberta…Hoje, nós cuidamos dela, minha sogra, que conta 84 anos e já esquece a torneira aberta as vêzes…
Quando será nossa vêz ?…
A vida é como o mar que inunda a praia na maré cheia,
e depois seca, na baixa…E volta a inundar…
A torneira está sempre aberta!

sábado, 22 de novembro de 2008

Poetas...


"Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim".

S. Freud



sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Sou fã do Juiz De Sanctis.

Com tantos disparates de Gilmar Mendes, presidente STF, é no juiz Fausto De Sanctis, emblema desta nova geração (nem tão nova assim) de juízes corajosos e de princípios que coloco minhas esperanças num país melhor e mais justo.O juíz De Sanctis recusou sua promoção a desembargador.Abaixo, sua nota comunicando a decisão:

"Diante do interesse público gerado acerca da inscrição para a promoção por antiguidade deste magistrado ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cabe-me esclarecer o que segue:
1. Este magistrado tem conhecimento da relevância do cargo de Desembargador Federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, maior Corte Federal brasileira, que compreende causas oriundas dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul;
2. Manifestações apoiando a minha promoção foram realizadas, como também não a apoiando, estas últimas em especial por parte de brasileiros que desconheço, mas que confiam no trabalho deste magistrado. Agradeço a todos sem exceção;
3. Durante os últimos 30 dias do prazo para a inscrição à promoção, houve de minha parte intensa reflexão, que tem sido para mim árdua porquanto a antiguidade, como critério objetivo, constitui-se, por ocasião de sua incidência, o momento natural de promoção do magistrado, daí a relevância deste esclarecimento à população;
4. A perplexidade, contínua, tem me revelado, quiçá, que a decisão não se encontraria madura para ser adotada de imediato. Tratar-se-ia de decisão pautada na incerteza, fato que poderia levar a interpretações equivocadas e teoricamente incompreensíveis para um magistrado;
5. Não se trata de menos caso ou desprezo de cargo relevante, muito menos de apego ou desapego;
6. De certo em alguns meses novo edital de promoção possivelmente se efetivará e novas vagas surgirão, de molde que esta minha decisão é temporária;
7. Importante pontuar que num Estado de Direito não há espaço para pessoas insubstituíveis, caso em que significaria a total falência das instituições;
8. O trabalho que está sendo executado na Sexta Vara Federal Criminal de que sou titular por muitos anos, com a importante ajuda de um corpo de abnegados funcionários, não se restringe a esta ou àquela hipótese, mas a uma soma de ações que visa a melhor entrega da tutela jurisdicional;
9. A inamovibilidade do magistrado afigura-se prerrogativa justamente para permitir a sua remoção ou promoção quando do momento considerado apropriado. Trata-se de um direito subjetivo e necessário;
10. Não é a primeira vez que um magistrado deixa de se promover a um Tribunal por vontade própria e, provavelmente, nem será a última. Há muitos casos tanto na esfera federal, quanto na estadual;
11. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região e seus membros são merecedores de grande respeito pelo que representam e realizam. Acredito na Corte Federal e na sua importância. Contudo, não é possível adotar uma decisão sem estar inteiramente convencido de seu acerto;
12. Acima de tudo, o respeito e a dignidade do ser humano sempre têm que ser preservados, não importando a profissão ou o cargo que ocupa ou o local onde é exercido. Juiz é sempre juiz, independentemente da instância ou de sua nomenclatura."

NOTA:
O Juiz De Sanctis foi quem mandou Daniel Dantas duas vezes para a cadeia em um dia. (Gilmar Mendes foi quem mandou soltar). O Juiz De Sanctis, recusando a promoção, continuara no comando do processo contra Daniel Dantas e sua patota.

Colado do Blog: Cascata nos States
Juiz De Sanctis



Um minuto...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Zumbi dos Palmares

Hoje é dia de festa em União, é assim, simplificando que o povo se refere a União dos Palmares, cidade alagoana, distante 85 km de Maceio, União...Não é lindo? Eu acho um Luxo! União, para disignar uma cidade que vive aos pés da Serra da Barriga. Serra hoje, transformada em sitio arqueológico, tombada pelo Patrimônio Histórico, mas que no passado abrigou o Quilombo dos Palmares...

Morei em União, nos anos 80, da casa onde morava se via a Serra da Barriga... A proximidade com aquele local histórico, onde tantos sangraram em busca de liberdade sempre me emocionou. Sou amigo dos pobres, dos desgraçados que sofrem, que choram, que têm fome, dos que clamam pelo Direito e pela Justiça ... Pisar um local onde todos esses princípios e muitos outros foram contrariados foi penoso! Espero que esta postagem, mais do que homenagem à Zumbi, sirva pra despertar não a Consciência Negra, mas a Consciência de Todos em nosso País.





Zumbi herói de Palmares, herói negro brasileiro



Brasília, 19/11/07 - No dia em que é inaugurado em Alagoas o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, o Portal Palmares conta no espaço Memória Negra, a história de vida de nosso maior líder negro: Zumbi dos Palmares:
Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.
Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo.
No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após um batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.
Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu "governo" a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.
O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695.
Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.


Pesquisa: Oscar Henrique Cardoso, ACS/FCP/MinC

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Acqua

Comentário pra Lunna no Blog Acqua


Noite estrelas
Testemunham o verso

Na madrugada

domingo, 16 de novembro de 2008

Dr. Vivian Theodore Thomas


Instigado pelo comentário do Dr. César A Elias, fui buscar informações sobre Vivien Theodore Thomas, entre os achados descobri a postagem abaixo no blog da Professora Raquel Tinoco, são incríveis as semelhas entre as duas histórias, pobreza, racismo, medicina, cirurgias cardíacas, mérito sonegado…Os professores Hamilton e Vivien são duas pedras, de força, beleza e sabedoria raras, polidas pelo amor ao trabalho e aos semelhantes.



Histórias de sucesso

Filho de escravos, era carpinteiro. Habilidoso com as ferramentas que usava, seu trabalho era meticuloso e perfeito. Mas, ainda assim, todas essas qualidades não foram suficientes para evitar que fosse demitido durante a grande recessão americana de 1930.No mesmo ano, aos 19 anos, Vivien Theodore Thomas foi contratado pelo Dr. Alfred Blalock como zelador de um laboratório que se utilizava de cães para experiementos médicos. Sua atividade? Manter o canil limpo e os cães bem tratados.
Tinha um sonho. A Medicina. Juntou cada centavo que sobrava de suas despesas para pagar sua faculdade.Era negro numa sociedade extremamente racista. E daí? Tinha uma meta e não tirava seus olhos dela. Queria ser médico.Sua paixão pela medicina o tornava curioso, sedento por saber. Encontrou um tesouro no laboratório. Livros, muitos livros de Medicina. Enquanto executava seus afazeres, devorava os livros, o que logo atraiu a atenção do Dr. Blalock.Um dia, voltando do laboratório viu um tumulto em frente ao banco onde depositou suas economias. O banco havia falido levando junto todos os sonhos de Vivien. Ele acreditou que não conseguiria superar a perda.Precisaria recomeçar.No dia seguinte, ao chegar no laboratório, foi testado por seu chefe. Numa argüição surpresa, teve que citar nomes de vários instrumentos que guarneciam a sala cirúrgica. O Dr. Blalock queria mais, precisava de um assistente. Pediu que Vivien pinçasse os tubos de ensaio. Primeiro com a mão direita e depois com a esquerda. Vivien, com segurança, além de pinçar os tubos, conseguiu colocá-los em seus devidos lugares.Foi promovido. Passou a ser assistente nas cirurgias experimentais do Dr. Blalock.Quando Blalock se tornou cirurgião-chefe do Johns Hopkins Hospital, levou consigo Vivien por causa de sua paixão por medicina e habilidade na criação de instrumentos cirúrgicos. Na América racista de sua época, Vivien, que era negro, causava reações discriminatórias nos médicos do lugar ao circular de jaleco branco. Afinal ele não passava de um faxineiro. Vivien Thomas, por ser negro e não diplomado, não podia nem mesmo entrar no centro cirúrgico.Vivien Thomas, de forma autodidata, através da observação, estudo e dedicação, aprendeu e desenvolveu técnicas inovadoras em medicina.O trabalho dos dois direcionava ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de instrumentos para cirurgias cardíacas. O coração, naquela época, era considerado intocável e inoperável. Eles foram os primeiros a realizar cirurgias no coração de pessoas vivas.Um jovem negro desafiou a ciência, demonstrando sua habilidade para cirurgia no maior Hospital dos Estados Unidos, o conceituado Hospital Hopkins.Iniciaram sua pesquisa para a descoberta da fisiopatologia do choque hipovolêmico, mais conhecido como "Síndrome do Bebê Azul". Essa síndrome também é conhecida como Tetralogia de Fallot, onde o coração da criança possui um defeito que acarreta grande dificuldade de oxigenação do sangue, com isso o bebê adquire uma cor arroxeada (cianose) e sofre de falta de ar.Desde os primórdios das suas pesquisas, o jovem Vivien Thomas se destacou.Entretanto, continuava ganhando menos que os técnicos de laboratório. Seu salário continuava sendo o de um zelador. Lutou e acabou sendo promovido.Antes de testar a cirurgia em humanos, os dois precisavem criar em cães os mesmos sintomas. Precisavam criar um desvio numa artéria para reproduzir a doença azul. Depois operariam o coração do animal para solucionar o problema. Vivien e seu mentor conseguiram.Chegara a hora de aplicar a técnica em seres humanos. Desenvolveram o primeiro procedimento invasivo de anastomose em cirurgia cardíaca. O Dr. Blalock repetiria a operação em um paciente humano, com Vivien Thomas de pé num banquinho atrás de si, vendo tudo por sobre seu ombro e dizendo-lhe o que fazer. A cirurgia era considerada de alto risco.Vivien enfrentou a discriminação dos demais médicos. Além de negro, não era graduado. O sonho de cursar a faculdade acabou sendo deixado de lado. Quando quis retomá-lo, percebeu que esperara demais. Todo o seu trabalho e experiência não lhe serviram para eliminar disciplinas e precisaria cursar todos os períodos letivos. Isso levaria tempo demais. Desitiu da faculdade e continuo seu trabalho laboratorial.Thomas, jovem negro que sempre sonhou em ser médico, não levou o mérito das suas pesquisas.Com um limitado grau de educação formal, Thomas lutou contra a pobreza e o racismo para se tornar um pioneiro na área da cirurgia cardíaca e um professor para estudantes que se tornariam os melhores cirurgiões dos Estados Unidos.A parceria durou quase 40 anos e só muitos anos depois o trabalho de Vivien foi reconhecido.Após a morte de Blalock em 1964, Vivien permaneceu no local por mais 15 anos.Somente em 1976, Viven foi condecorado com um título de Doutor Honorário. No entanto, devido a certas restrições, ele recebeu um título de Doutor em Direito e não em Medicina. Vivien também foi nomeado para o corpo docente da Johns Hopkins Medical School como Instrutor de Cirurgia.A História de Vivien Thomas é contada no filme Quase Deuses, parcialmente baseado no artigo jornalístico "Something the Lord Made", escrito por Katie McCabe e publicado no Washingtonian.A história real de Viven Thomas foi produzido em 2004 pela HBO.
Nas salas da escola há uma réplica do retrato de Vivien Thomas encomendado por seus formandos de 1968. Repousa ao lado do retrado do Dr. Blalock .
Vivien Theodore Thomas nasceu em New Iberia, Louisiana, em 29 de agosto de 1910.

sábado, 15 de novembro de 2008

Dr. Hamilton Naki




Quem foi Hamilton Naki?


Hamilton Naki (26 de Junho de 1926 - 29 de maio de 2005) um Sul-africano negro e pobre, nasceu em Ngcingane, em Eastem Cape(Cabo Oriental). Aos 14 anos parou de estudar e empregou-se como jardineiro da Universidade da Cidade do Cabo. Foi selecionado para trabalhar com os animais do laboratório da Faculdade de Medicina. Suas habilidades técnicas foram sendo observadas e recebeu permissão especial para permanecer nas pesquisas de laboratório.
Por 40 anos, o negro instruiu milhares de cirurgiões brancos, vários deles se tornariam chefes de departamento em hospitais. Formalmente jardineiro, recebia como auxiliar de laboratório, a maior remuneração que legislação permitia à Universidade lhe pagar.

A versão inicialmente divulgada no obituário do Sr Naki dizia: Foi ele quem retirou do corpo da doadora branca, Sra. Denise Darvall, o coração transplantado para o peito de Louis Washkanky, em dezembro de 1967,na cidade do Cabo, na África do Sul, na primeira operação de transplante cardíaco humano bem-sucedida. Esta história era fantástica e até então desconhecida. Foi publicada com grande destaque por importantes jornais, no mundo todo. A Internet encarregou-se de reproduzir o tema: era um professor sem formação acadêmica tradicional e exímio cirurgião, até então desconhecido devido ao apartheid.Em poucas semanas autoridades do Groote Schuur Hospital declararam que o Sr. Naki não participou do transplante nem em outras cirurgias, exceto em seu trabalho com animais.
O Sr. Naki aposentou-se com salário de jardineiro em 1991 e o fim do apartheid veio apenas em 1994, com a eleição de Nelson Mandela. O reconhecimento ao seu trabalho, por entidades estatais Sul-Africanas veio através da Ordem Nacional de Mapungubwe somente em 2002 e finalmente o título de Médico Honorário pela Universidade de Cape Town em 2003. Continuou trabalhando como cirurgião em um ônibus adaptado como clínica móvel, encomendado com o apoio de donativos recolhidos a partir de médicos que ele tinha treinado.


Cristhian Barnard se aposentou em 1983, dezesseis anos após o seu famoso transplante. Barnard era adversário do apartheid e admirava o Sr.Naki, seu fiel e tenaz colaborador. Em 1993 admitira em entrevista que " se dada oportunidade" o Sr Naki poderia ter sido "melhor cirurgião do que eu". Sabemos que durante uma cirurgia complexa há necessidade de um harmonioso trabalho de equipe. Durante o regime do apartheid qualquer ajuda de um negro, sem educação formal, a um homem branco seria um eterno segredo. Não há dúvida da ajuda prestada pelo Sr. Naki à Barnard, porém a natureza desta ajuda é desconhecida.


"Eu gostaria que a geração mais jovem pudesse encontrar inspiração no meu trabalho. Nosso país precisa de mais médicos, sobretudo a partir dos desfavorecidos da comunidade.
Olhem para mim - pode acontecer! "-Naki




Até onde vai a verdade desta história? Não importa. O importante neste caso é que o Sr. Naki foi um herói! Um herói que cuidou de flores, de animais e de pessoas. Contribuiu com seu talento e trabalho para aliviar o sofrimento de seus semelhantes. Mesmo submetido a condições humilhantes, não se abateu e dia a dia, por anos, poliu um verdadeiro diamante sul-africano; seu caráter que serve de exemplo a seus conterrâneos e aos homens livres de todo o mundo.


Fontes:
BrasilMedicina.com.br:
Geocities.com
JB OnLine
Wikipédia

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Resposta do Arteiro





Terrine de Fígado de Pato

Ingredientes:
1 kg de fígado de pato

1 cebola pequena bem picada
1 dente de alho
400 g de toucinho gordo
3 pães franceses amanhecidos
2 colheres (sopa) de vinho do Porto
1 colher (sopa) de conhaque
1 colher (chá) de mostarda
2 colheres (chá) de gelatina em pó
3 ovos
2/3 xícara de creme de leite
2 xícaras de leite
sal e pimenta-do-reino a gosto


Modo de Preparo: Coloque o fígado de molho no leite. Cubra e leve à geladeira por 24 horas. Escorra-o bem e seque levemente com papel absorvente. Corte o toucinho em cubos. Remova com uma faca a casca escura dos pãezinhos. Descarte. Coloque no processador os fígados, toucinho, pãezinhos sem casca, cebola, alho, vinho do porto, conhaque, ovos, mostarda, gelatina, sal (cerca de 1 e ½ colheres chá) e pimenta-do-reino à gosto. Processe até obter uma pasta lisa e cremosa. Passe por uma peneira (não muito fina) e coloque em outro recipiente. Acrescente o creme de leite e vá misturando delicadamente. Forre com papel alumínio uma terrine (fôrma de aproximadamente 25x10x10) ou forma de bolo inglês coloque a mistura de fígados dentro, cubra papel alumínio. Leve ao forno colocando a terrine em banho-maria. Asse em forno médio por 50 minutos. Retire do forno e deixe esfriar. Leve à geladeira por 12 horas. Corte fatias grossas, cubra as fatias com uma colhereda de geléia de framboesas (opcional) e sirva com torradinhas.


Nota: Pode ser utilizado fígado de frango.




Fonte : http://culinaria.terra.com.br/

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Minha Honda








Comentário para Kenia Mello, no Leite de Cobra(post Marcelo Faria)…


Ou seria para Daniele Suzuki?




Linda Suzuki
Verinha minha Honda
Não dá pra trocar
Nota: A máquina acima é uma Ferrari

domingo, 9 de novembro de 2008

Afinidade





Como já disse em outro post, sou fã de Raimundo Fagner, há mais de 30 anos acompanho sua obra…
Já dona Verinha, minha querida metade, é fã da poetisa, portuguesa, Florbela Espanca; lê, comenta, divulga…
Brasileiros, na sua maioria, não costumam ler manuais , tão pouco prestam muita atenção nos créditos de discos, CDs, filmes…Eu, pelo menos, “era” assim!
Bem feito! Fiquei anos sem saber que tínhamos mais uma afinidade, eu e Verinha; os versos de Florbela musicados por Fagner:
Do Livro de Soror saudade(1923-1ª edição), Fagner gravou Fanatismo que estourou nas paradas de sucessos em 1981, Florbela, antes conhecida apenas pelos estudantes de letras e apaixonados por poesia, passou a ser cantada em todo o Brasil. Do mesmo livro gravou ainda, Fumo e Frieza. Do livro de Mágoas(1919-1ª edição), gravou Tortura.
Como se diz por aqui, “to mais faceiro que pinto no lixo!”. Pensem bem, com quase quarenta anos de namoro e me aparece uma novidade dessas! Mas bah!
Essa postagem é uma surpresa pra ela! (Verinha)
Costumo dizer que a afinidade é pai e mãe da amizade…Acho que deve ser também, parente do amor!
Fanatismo é sem dúvidas, meu preferido:


FANATISMO

Composição: Florbela Espanca e Raimundo Fagner

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida

Não vejo nada assim enlouquecida
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida

Tudo no mundo é frágil, tudo passa
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim
E, olhos postos em ti, digo de rastros:

"Podem voar mundos, morrer astros
Que tu és como um Deus... Princípio e Fim"

"Podem voar mundos, morrer astros
Que tu és como um Deus... Princípio e Fim"

Eu já te falei de tudo, mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver
Não és sequer a razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida

Não vejo nada assim enlouquecida
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida

Tudo no mundo é frágil, tudo passa
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim
E, olhos postos em ti, digo de rastros:

"Podem voar mundos, morrer astros
Que tu és como um Deus... Princípio e Fim"

"Podem voar mundos, morrer astros
Que tu és como um Deus... Princípio e Fim"

"Mas, podem voar mundos, morrer astros
Que tu és como um Deus... Princípio e Fim"

Eu já te falei de tudo, mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto

100querer

Comentário para Luci no 100querer


Eu fui pra ele
Namorados etenos
Ele é pra mim

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Obama, discurso da vitoria!

“Oi Chicago,
Se existe alguém que continua duvidando que os Estados Unidos são um lugar onde todas as coisas são possíveis, que ainda interroga-se se o sonho de nossos fundadores continua vivo em nosso tempo, que continua questionando o poder da nossa democracia, esta noite é sua resposta.
Esta é a resposta dada por filas que se extenderam ao longo de escolas e igrejas em números que esta nação nunca viu antes, por pessoas que esperaram 3, 4 horas, muitas pela primeira vez em suas vidas, porque eles acreditaram que agora precisa ser diferente, que vocês poderiam ser esta diferença.
Esta é a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, Democratas e Republicanos, pretos, brancos, hispânicos, asiáticos, índios, homossexuais, heterossexuais, deficientes e não deficientes, americanos que enviaram uma mensagem para o mundo, que nós nunca fomos apenas uma coleção de indivíduos ou uma coleção de estados vermelhos e azuis (vermelho é a cor do partido republicano e azul a cor do partido democrata).
Nós somos, e sempre seremos, os Estados Unidos da América.
Esta é a resposta que liderou aqueles que, por tanto tempo e por tantos, escutou que deveria ser cínico, medroso e desconfiado sobre o que nós podemos conquistar ao colocar nossas mãos no arco da história e dobrá-lo mais uma vez na direção da esperança de um dia melhor.
Foi um longo tempo, mas nesta noite, pelo que fizemos nesta data, nesta eleição, neste momento decisivo, a mudança veio para os Estados Unidos.
Um pouco antes nesta noite, eu recebi um extraordinariamente cordial telefonema do senador McCain.
Senador MaCain lutou duro e por um longo tempo nesta campanha. E ele lutou ainda mais duro e por mais tempo por este país que ele ama. Ele fez sacrifícios pelos Estados Unidos que a maioria de nós não pode nem começar a imaginar. Nós somos melhores por causa dos serviços prestados por este bravo e altruísta líder.
E dou-lhe parabéns, dou parabéns tambem a governadora (Sarah) Pallin por tudo que fizeram. E eu espero trabalhar com eles para renovar a promessa da nação nos meses à frente.
E quero agradecer meu parceiro nesta jornada, um homem que acompanhou com seu coração, e falou com os homens e mulheres com quem ele cresceu junto, nas ruas de Scranton e viajou no trem para casa em Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.
E eu não estaria aqui nesta noite, sem o incessante suporte da minha melhor amiga nos últimos 16 anos, a pedra da nossa família, o amor da minha vida, a próxima primeira dama da nação, Michelle Obama.
Sasha e Malia (suas filhas de 7 e 10 anos de idade) eu amos vocês mais do que vocês podem imaginar. E vocês fizeram por merecer o novo cachorrinho que virá conosco para a nova Casa Branca. (desde Jim Carter a casa branca não tem criança na idade de escola primária)
E mesmo que ela não esteja mais conosco, eu sei que a dedicação de minha avó (que morreu 3 dias antes da eleição), junto com minha família, fez quem eu sou. Eu sinto a falta deles nesta noite, eu sei que minha dívida para com eles está acima de qualquer medida.
Para minha irmã Maya, minha irmã Alma, todos meus irmãos e irmãs, muito obrigado por todo o apoio que vocês tem me dado. Eu agradeço a eles.
E meu coordenador de campanha, David Plouffe, o herói não falado desta campanha, que montou a melhor campanha política, na minha opinião, da história dos Estados Unidos.
Ao meu estrategista chefe, David Axelrod, que foi um parceiro em todos os passos do caminho. Para o melhor time de todos os tempos na história da política, vocês fizeram isto acontecer e eu serei para sempre grato pelo que vocês sacrificaram e pelo que fizeram.
Mas, sobretudo, eu nunca irei esquecer a quem esta vitória pertence. Ela pertence a vocês. Ela pertence a vocês.
Eu nunca fui o candidato favorito para este cargo.
Nós não começamos com muito dinheiro ou apoio.
Nossa campanha não foi levantada nos salões de Washington. Ela começou nos quintais de Des Moines e nas salas de estar de Concord e nas varandas de Charleston.
Ela foi construída por trabalhadores e trabalhadoras que pegaram das pequenas poupanças que tinham, para doar 5 e 10 e 20 para a causa.
Ela ganhou força dos jovens que rejeitaram o mito da apatia de sua geração, que deixaram suas casas e suas famílias por um trabalho que oferecia pouco dinheiro e menos sono.
Ela drenou força dos nem tão jovens, que enfrentaram o amargo frio e calor escaldante para bater nas portas de perfeitos estranhos, e dos milhões de americanos que voluntariamente e organizados, provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, para o povo, e pelo povo não desapareceu da face da terra.
Esta é a sua vitória.
E eu sei que você não fez isso apenas para ganhar uma eleição. E eu sei que você não fez isso por mim.
Você fez isso porque você entende a grande tarefa que está a nossa frente. Mesmo que celebremos nesta noite, nós sabemos que os desafios que virão amanhã são os maiores de nossas vidas – Duas guerras, um planeta degradando, a maior crise financeira de um século.
Mesmo enquanto nós estamos aqui agora, nós sabemos que existem bravos americanos acordando no deserto do Iraque e nas montanhas do Afeganistão arriscando suas vidas por nós.
Existem mães e pais que deitaram depois de seus filhos adormecerem e se questionaram como irão pagar a hipoteca de suas casas e as contas dos médicos ou poupar dinheiro suficiente para pagar a universidade de seus filhos.
Existem novos meios de energia a serem explorados, novos empregos a serem criados, novas escolas para construir, as ameaças a serem encaradas, alianças a serem refeitas.
A estrada a frente será longa, e a ladeira é alta. Nós talvez não chegaremos lá em um ano ou em um mandato. Mas, América, eu nunca estive mais esperançoso do que nesta noite que chegaremos lá!
Eu prometo a você, que nós, como um povo, chegaremos lá.
Haverão passos para trás e falsos começos. Muitos não concordarão com todas as decisões e políticas que farei como presidente. E nós sabemos que o governo não pode resolver todos os problemas.
Mas sempre serei sincero com vocês sobre os desafios que nós encaramos. Eu escutarei você, especialmente quando não concordarmos. E, sobretudo, eu pedirei que você se junte ao trabalho de reconstrução desta nação, do único jeito que tem acontecido nos Estados Unidos por 221 anos – bloco por bloco, tijolo por tijolo, calo duro por calo duro.
O que começou a 21 meses no profundo inverno não pode acabar nesta noite de outono.
Apenas a vitória não é a mudança que procuramos. É somente a chance para se fazer a mudança. E não acontecerá se voltarmos ao jeito que as coisas eram.
Ela não acontecera sem você, sem um novo espírito de serviço, um novo espírito de sacrifício.
Então nos deixe adicionar um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, onde cada um de nós decida colaborar, e trabalhar duro e olhar para, não apenas nós mesmos, mas entre nós.
Me deixe lembrar que, se esta crise financeira nos ensinou algumas coisas, é que não pode haver fortuna em Walt Street enquanto Main Street (referencia ao povo comum) sofre.
Neste país, nós nos levantamos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistiremos a tentação de cair no mesmo bairrismo, desinteresse e imaturidade que tem envenenado nossa política por tanto tempo.
Lembrem que foi um homem deste estado que pela primeira vez carregou a faixa do partido republicano à casa branca, um partido fundado sobre valores de resiliência e liberdade individual e união nacional.
Estes são valores que todos nós dividimos. E enquanto o partido Democrático teve uma grande vitória nesta noite, nós o fazemos com uma medida de humildade e determinação para curar as divisões que tem segurado nosso progresso.
Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida que a nossa, “não somos inimigos, mas amigos”. Mesmo que a paixão tenha tensionado, ela não deve quebrar nossos laços de afeição.
E aqueles americanos, a quem o apoio eu ainda tenho que merecer: eu talvez não tenha ganho seu voto hoje, mas eu escuto sua voz. Eu preciso sua ajuda. E eu serei seu presidente também.
E a todos que assistem hoje a noite além de nossos portos, de parlamentos e palácios, aqueles concentrados em torno do rádio em esquecidos cantos do mundo, nossas histórias são únicas, mas nosso destino é comum, e uma nova alvorada da liderança americana esta a distancia da mão.
Para aqueles – para aqueles que se dividiram: Nós derrotaremos vocês. Para aqueles que procuram paz e segurança: Nós apoiaremos você. E para todos aqueles que têm questionado se a tocha da América continua queimando com o mesmo brilho: Esta noite nós provamos mais uma vez que a verdadeira força de nossa nação não está no poder de nossas armas ou na escala de nossas riquezas, mas no permanente poder de nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e inflexível esperança.
Este é o verdadeiro caráter dos Estados Unidos: que a América pode mudar. Nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já conquistamos nos dá esperança para o que podemos e devemos conquistar amanhã.
Esta eleição teve muitos “primeiros” e muitas histórias que irão ser contadas por gerações. Mas uma que está na minha cabeça esta noite é sobre uma mulher que votou em Atlanta Ela e, parecida com milhões de outras que ficaram nas filas para fazer sua voz ouvida nesta eleição, exceto por uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu uma geração depois da escravidão, num tempo onde não existiam carros nas ruas ou aviões no céu, quando alguém como ela não podia votar por duas razões: porque ela era uma mulher e por causa da cor de sua pele.
E hoje à noite, eu penso em tudo que ela viu durante seu século na América: a dor no coração e a esperança, a dificuldade e o progresso, as vezes que nos falaram que não podemos e as pessoas que pressionaram com aquele credo americano: Sim, nós podemos! (Yes, we can – foi o slogan de campanha de Barack Obama).
Em um tempo onde a voz das mulheres não eram escutadas e suas esperanças dispensadas, ela viveu para vê-las se levantarem e fazerem sua voz ser ouvida e alcançarem as cédulas de votação. Sim, nós podemos!
Quando ouve o desespero do prato vazio e depressão sobre a terra, ela viu uma nação vencer o medo com um pacto novo (New Deal), novos trabalhos, a new sense de um propósito comum. Sim, nós podemos!
Quando as bombas caíram no nosso porto (Pearl Harbor) e tirania ameaçou o mundo, ela estava lá para testemunhar uma geração se levantar para a grandiosidade e uma democracia foi salva. Sim, nós podemos!
Ela estava lá para os ônibus em Montgomery, as casas em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pastor de Atlanta que falou ao povo que “Nós precisamos vencer”. Sim, nós podemos!
Um homem tocou a lua, um muro caiu em Berlin, um mundo foi conectado por nossa ciência e imaginação.
E este ano, nesta eleição, ela tocou numa tela com seu dedo e votou, porque depois de 106 anos na América, através dos melhores tempos e das horas mais escuras, ela sabe que a América pode mudar.
Sim, nós podemos!
América, nós viemos tão longe! Nós vimos tanto! Mas tem tanto mais a ser feito! Então, nesta noite, pergutemos a nós mesmos: se nossos filhos viverem para ver o próximo século, se minhas filhas tiverem tanta sorte de viver tanto quanto Ann Nixon Cooper, que mudanças elas verão? Que progressos nós teremos feito?
Esta é a nossa chance de responder este chamado. Este é o nosso momento.
Este é o nosso tempo de colocar nosso povo de volta ao trabalho e abrir portas de oportunidade para nossos filhos, para reconstruir prosperidades e promover a causa da paz, para reclamar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental que, de muitos, nós somos um; que enquanto respirarmos, nós teremos esperança. E onde encontrarmos cinismo e dúvidas e aqueles que nos falam que não podemos, nós responderemos com aquele eterno credo que soma o espírito de um povo: Sim, nós podemos!
Muito Obrigado. Deus abençoe vocês. E permita que Deus abençoe os Estados Unidos da América.”

Em Fim...

Blogagem coletiva


" Em mim, não vejo começo nem Fim "
Cecilia Meireles


É na síntese de um verso que se mostar a genial poetisa…

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Canção das mulheres

Foto de Cesar Elias



Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.
Lya Luft

Canção dos Homens

Foto de Dânia Borio


Que quando chegar do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo - filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente. Que quando nos sentarmos à mesa para jantar ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos. E se for uma profissional, trabalhar fora,que divida comigo o tempo de comentarmos nosso dia.Que se estiver cansado demais para fazer amor, ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.Que não tire nosso bebê dos meus braçosdizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele,mas me ensine docemente se eu não souber.Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou me distraio demais.Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossas intimidades com as amigas, como tantas mulheres fazem.Que quando conto uma piada para ela ou na frente de outros, ela não faça um gesto de enfado dizendo "Essa você já me contou umas mil vezes".Que ela consiga perceber quando estou preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa, sem me pressionar para relatar tudo, nem suspeitar de que já não gosto dela.Que quando precisar ficar um pouco quieto ela não insista o tempo todo para para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse falta de amor.Que quando estou com pouco dinheiroela não me acuse de ter desperdiçadocom bobagens em lugar de prover minha família.Que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela. Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda horapara cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo. Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho amante.Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma,sem medo de ser criticado ou censurado:que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.Que cuide um pouco de mim como minha mulher, mas não como se eu fosse uma criança tola e ela a mãe, a mãe onipotente, que não me transforme em seu filho.Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito terno e divertido que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.Que eu não sinta que me tornei desinteressante ou banal para ela, como se só os filhos e as vizinhas merecessem sua atenção e alegria.E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente, Ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz,menos solitário, e muito mais humano.(Lya Luft, em "Pensar é Transgredir")