sábado, 15 de novembro de 2008

Dr. Hamilton Naki




Quem foi Hamilton Naki?


Hamilton Naki (26 de Junho de 1926 - 29 de maio de 2005) um Sul-africano negro e pobre, nasceu em Ngcingane, em Eastem Cape(Cabo Oriental). Aos 14 anos parou de estudar e empregou-se como jardineiro da Universidade da Cidade do Cabo. Foi selecionado para trabalhar com os animais do laboratório da Faculdade de Medicina. Suas habilidades técnicas foram sendo observadas e recebeu permissão especial para permanecer nas pesquisas de laboratório.
Por 40 anos, o negro instruiu milhares de cirurgiões brancos, vários deles se tornariam chefes de departamento em hospitais. Formalmente jardineiro, recebia como auxiliar de laboratório, a maior remuneração que legislação permitia à Universidade lhe pagar.

A versão inicialmente divulgada no obituário do Sr Naki dizia: Foi ele quem retirou do corpo da doadora branca, Sra. Denise Darvall, o coração transplantado para o peito de Louis Washkanky, em dezembro de 1967,na cidade do Cabo, na África do Sul, na primeira operação de transplante cardíaco humano bem-sucedida. Esta história era fantástica e até então desconhecida. Foi publicada com grande destaque por importantes jornais, no mundo todo. A Internet encarregou-se de reproduzir o tema: era um professor sem formação acadêmica tradicional e exímio cirurgião, até então desconhecido devido ao apartheid.Em poucas semanas autoridades do Groote Schuur Hospital declararam que o Sr. Naki não participou do transplante nem em outras cirurgias, exceto em seu trabalho com animais.
O Sr. Naki aposentou-se com salário de jardineiro em 1991 e o fim do apartheid veio apenas em 1994, com a eleição de Nelson Mandela. O reconhecimento ao seu trabalho, por entidades estatais Sul-Africanas veio através da Ordem Nacional de Mapungubwe somente em 2002 e finalmente o título de Médico Honorário pela Universidade de Cape Town em 2003. Continuou trabalhando como cirurgião em um ônibus adaptado como clínica móvel, encomendado com o apoio de donativos recolhidos a partir de médicos que ele tinha treinado.


Cristhian Barnard se aposentou em 1983, dezesseis anos após o seu famoso transplante. Barnard era adversário do apartheid e admirava o Sr.Naki, seu fiel e tenaz colaborador. Em 1993 admitira em entrevista que " se dada oportunidade" o Sr Naki poderia ter sido "melhor cirurgião do que eu". Sabemos que durante uma cirurgia complexa há necessidade de um harmonioso trabalho de equipe. Durante o regime do apartheid qualquer ajuda de um negro, sem educação formal, a um homem branco seria um eterno segredo. Não há dúvida da ajuda prestada pelo Sr. Naki à Barnard, porém a natureza desta ajuda é desconhecida.


"Eu gostaria que a geração mais jovem pudesse encontrar inspiração no meu trabalho. Nosso país precisa de mais médicos, sobretudo a partir dos desfavorecidos da comunidade.
Olhem para mim - pode acontecer! "-Naki




Até onde vai a verdade desta história? Não importa. O importante neste caso é que o Sr. Naki foi um herói! Um herói que cuidou de flores, de animais e de pessoas. Contribuiu com seu talento e trabalho para aliviar o sofrimento de seus semelhantes. Mesmo submetido a condições humilhantes, não se abateu e dia a dia, por anos, poliu um verdadeiro diamante sul-africano; seu caráter que serve de exemplo a seus conterrâneos e aos homens livres de todo o mundo.


Fontes:
BrasilMedicina.com.br:
Geocities.com
JB OnLine
Wikipédia

4 comentários:

César Elias disse...

Muito legal essa história...

Fui dar uma pesquisada e vi como é semelhante com a história contada pelo filme "Quase Deuses". (->eu recomendo! <-) Ele conta a vida de Dr. Vivien Theodore Thomas, também afrodescendente, auxiliar de laboratorio, que contribui muito com a primeira cirurgia para correção da sindrome do bebe azul (Tetralogia de Fallot) e acaba como Professor da Johns Hopkins no final da vida.

...duas trajetória identicas, duas grandes lições de vida!

Professora Raquel Tinoco disse...

Olá. Vim conhecer seu blogue. Obrigada pela visita. Um abraço.

Professora Raquel Tinoco disse...

Ah, sim, desculpe. Pode postar a história do Dr. Vivien, sem problemas.

Gisele lins disse...

Bom ,não sei se essa história procede ou não,so sei que me comovew...bjossssss