quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Datilografia







Frequentei o Curso de Datilografia da Casa Paroquial nos anos sessenta, naquela época , um bom datilografo tinha emprego garantido.

As velhas máquinas de escrever eram preparadas com um aparato que tapava o teclado, e nós, os alunos, tínhamos que decorar a posição das teclas e no final do curso, para sermos aprovados, conseguir copiar um texto no ritmo mínimo de 90 toques por minuto. Lembro bem do som das aulas, inicialmente era um tal de tic, tic, não tic, tic, não tic, mas no final do curso era só tic, tic, tic, tic, uma verdadeira orquesta! Fui aprovado! Com 96 toques por minuto, sem erros e usando os dez dedos.

Tenho certeza que a boa datilografia me ajudou à ser bancário e essa foi minha profissão.

Durante minha vida profissional tivemos muitos avanços tecnológicos; começando pelas calculadoras mecânicas de teclado múltiplo, depois teclados simplificados, vieram as calculadoras elétricas e finalmente as eletrônicas, primeiro as de mesa e por fim as de mão que podiam ser financeiras(a que usavamos) ou científicas, as máquinas de escrever também sofreram avanços semelhantes, até chegarmos aos computadores de mesa, que são, entre outras coisas, o casamento da calculadora com a máquina de escrever.

Hoje praticamente, não existem mais cursos de datilografia, isso me entristece e preocupa; fico triste por entender que a boa datilografia foi o pranchão que nos permitiu surfar com naturalidade naquela que foi chamada a terceira onda de desenvolvimento humano e preocupado com a saúde da nova geração de digitadores que usam dois ou no máximo quatro dedos, salvo raríssimas exceções, ficando expostos as doenças profissionais causadas pelo esforço repetitivo.

É preciso estar atento e saber escolher, pois nem sempre o avanço tecnológico traz melhora na qualidade de vida.




Calculadoras de várias idades;

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Fotos do Google

8 comentários:

Chica disse...

Eu também além do curso Normal para ser professora, fazia à tardinha aulas de datilografia e isso me ajudou bastante depois, quandso , jáadvogada, precisava trabalhar. Legal! abração,tudo de bom,chica

Mimirabolante disse...

Eu tbm.......adorava bater a máquina......atualmente tenho 3 para vender......viraram objetos de artes......bjcas.....

Flor ♥ disse...

Nooossa... vc tirou essa do fundo do baú! Tem aí até a imagem da Facit de esfera com a qual trabalhei mais de dez anos! E vivas para nós, que usamos os dez dedos no teclado!

Beijos!

Max Coutinho disse...

Oi Diler,

É, ainda me lembro bem da evolução das máquinas de escrever: não mencionaste aquela (que saíu no fim dos anos 80) em que se escrevia o texto por atacado (para um pequeno ecrã), e depois ela escrevia sozinha para o papel - estas máquinas eram o máximo.

Depois vieram os computadores...joia.

A minha mãe e avó tiraram o curso de dactilografia também (como parte integrante da vida académica).
Hoje em dia a formação dos jovens é paupérrima!!

Um abraço

Francisco Sobreira disse...

Caro Dilermano,
Um artigo muito oportuno. Eu, também bancário aposentado, bati em muita máquina de escrever. Aliás, no meu primeiro ordenado adquiri uma Erika, alemã, que conservo até hoje, embora não a use mais. Mas foi nela que escrevi todos os meus livros e incontáveis artigos para jornal. Um abraço.

César Elias disse...

bah... deveriam haver mais cursos de digitação e, principalmente, postura para usar computadores. É inacreditável o número de pessoas deixam de trabalhar por DORT (doença Osteomuscular Relaciona ao Trabalho ... a antiga LER). Principalmente pelo uso do mouse sem apoio para o braço. Já pensou passar a tarde o braço pendente no ar?!?! ...é... doenças pós modernas!!!

J.F. disse...

Diler,
Lembrar de máquina de escrever? Os jovens não sabem o que é isso. Podem imaginar que seria uma máquina que redigisse sozinha, em português castiço. Tempos atrás, minha filha resolveu mostrar um long-playing à minha neta. Ela ficou maravilhada com aquele CD enorme que tocava dos dois lados! Sinal dos tempos. Fazer o quê?
Bela postagem, parabéns!
Abração.

Anônimo disse...

Bem, minha vida profissional toda foi em cima de u´a máquina de escrever! Quando eu era adolescente, minha irmã mais velha fez o curso de datilografia e ia me passando as aulas em casa, já que tínhamos a máquina em casa. Tive sucesso no meu aprendizado e, já na época, era dos poucos que digitavam com os dez dedos e sem olhar para o teclado. Tenho um sentimento estranho vendo essa juventude de hoje... sabem tão pouco da vida e de como as coisas funcionam! Acho que nós, cinquentões, fomos agraciados por termos vivido tudo isso!