quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sobre Violência



Postagem de participação na coletiva promovida pelo Blog Mix Cultural, da Beta, uma bloguera preocupada com a violência do nosso cotidiano, em busca de soluções.
Dois Contos e uma Crônica





Passa a bolsa tia!


Ele atravessou a rua em sua direção, ela no ponto de ônibus, pensou “vou ser assaltada”, jogou fora o resto do cigarro que fumava e esperou, gelada, as pernas bambas.
- Me dá um cigarro, tia.
- Não tenho…
- Então me dá uns pila.
- Também não tenho. (apertando a bolsa contra o peito)
- Passa a bolsa tia! (puxou o revólver e disparou contra o rosto da mulher)
Abriu a bolsa e só encontrou o uniforme de trabalho, sujo e a carteira de identidade.
Na mão fechada a vítima segurava seu único vale transporte.







Tudo bem tia...



Ele atravessou a rua em sua direção, ela no ponto de ônibus, pensou “vou ser assaltada”, jogou fora o resto do cigarro que fumava e esperou, gelada, as pernas bambas.
- Me dá um cigarro, tia.
- Não vais acreditar, mas acabo de fumar meu último cigarro.
- Então me dá uns pila.
- Também não vais acreditar, mas tenho só um vale transporte…
E mostrando a bolsa:
- Olha a minha bolsa, só um uniforme sujo que levo pra lavar…
- Tudo bem tia, já vi que tu é sangue bom, vou ficar ali na esquina te cuidando, tem muito malando por aqui…
Ficou na esquina até ela desaparecer dentro do ônibus.







Filhos da violência

Nós, os humanos, temos consciência que, de certa forma, somos todos filhos da violência, afinal o que é a evolução de uma espécie, senão a imposição dos mais fortes sobre os mais fracos, se estamos aqui é certamente, porque algum ancestral nosso foi mais forte, entenda-se forte, não como virtude moral ou religiosa; fortaleza de espírito, não, esse forte é de força bruta, violência!
Desde tempos imemoriais faz parte do cotidiano humano a violência calar o diálogo, indivíduos entre si, sociedade contra seus membros, nações contra nações, todos eventualmente, fazem uso de força para atingir seus propósitos, mesmo as civilizações mais avançadas não conseguiram, ainda, a tão almejada paz.
Nos nossos dias é possível ver claramente, alguns exemplos de como o desrespeito causa violência:
Do ponto de vista individual , não é necessário falar do consumo de fumo, álcool, e outras drogas, basta simplesmente mencionar a alimentação, na maneira como aqueles que tem mesa farta tratam a comida, desperdiçando e cometendo exageros, desrespeitando a si e aos demais, agridem o próprio corpo com obesidade e outras doenças ao mesmo tempo que esquecem aqueles que tem fome.
A Sociedade, com anuência de parte da população, desreipeita seus cidadãos, com políticas injustas, má distribuição de renda e no uso de aparato policial truculento que aterroriza, tortura e mata impunemente.
Por interesse nos recursos naturais ou simplesmente para impor suas políticas e seu estilo de vida, nações atacam nações matando e destruindo seus opositores.
Pode-se dizer que a razão do insucesso na busca da paz definitiva, tem origem no descaso, na imprudência e no desrespeito como tratamos as outras pessoas e a flora e fauna do planeta, agredindo a natureza, desrespeitando a humanidade e ofendendo a Deus


Para terminar é necessário dizer que um dos contos acima é real, aconteceu com uma pessoa conhecida, mas, qual deles ?
Aquele com final trágico, idêntico aos muitos casos que lotam os noticiários todos os dias?
Ou o de Final Feliz que mais parece ter saído de um conto de fadas?
Então, qual? Final Feliz ou Trágico?
Por mais incrível que possa parecer o conto com Final Feliz é verídico, incrível porque não estamos acostumados a Finais Felizes.
Agora qual foi a diferença entre as possíveis vítimas de assalto? Enquanto uma foi rude e demonstrou desconfiança e medo a outra, mesmo sabendo do risco que poderia estar correndo, tratou o estanho com confiança, compaixão e principalmente com respeito, a sua atitude fêz a diferença.
Das pessoas que encontramos na rua, muitas estão “pela gota d’agua”, podem explodir a qualquer momento, se acham tão desrespeitadas e trazem no peito um desejo de vingança tão grande, que as vezes uma única palavra ou até um vestido mais curto podem ser a diferença entre a cortesia e a violência.
Assim é possível acreditar que onde há caridade, amor e compaixão, existe respeito, não violência.

8 comentários:

Chica disse...

Bah!guri!Texto forte e profundo que faz pensar...Ainda bem que houve o final feliz em um dos casos, pois em geral...a coisa é diferente. Os marginais não respeitam crianças, bebês de colo, cabelos brancos, NADA... abração,chica

Beta disse...

É Dilermando.
Esse do final feliz tb aconteceu comigo.
Não é facil não viu...

Obrigada por sua participação e parabéns!!
bj
beta

Lunna disse...

Nossa, hoje eu estou um pouco etérea e esse tipo de texto me devolve para o chão. Incrível como a violência nos violenta e nem sempre percebemos.
Há anos atrás eu fui assaltada, estava com minha bike (modelo novo, cheio de detalhes) e o cara se aproximou e pediu a bike. Eu entreguei. Parecia que ele estava armado, mas nem pensei duas vezes. Depois me perguntaram "mas era só um cara? vc luta jui jtsu". E daí não é? Bike a gente compra outra, uma vida nova não dá pra ter certeza se teremos... Bjs

Max Coutinho disse...

Olá Diler!

Que posso dizer diante de tamanha beleza verbal?
Fiquei feliz pelo final feliz (e sim, neste a "tia" teve a atitude certa tendo sido o resultado tão feliz).

Tens razão: a violência faz parte da natureza humana, mas estamos aqui na terra para a sublimar e não para nos rendermos a ela (i.e. evolução).

Mesmo com todo o amor e respeito, irá sempre haver violência (para que se mantenha o equilibrio -é triste, mas é mesmo assim).

Parabéns pela belíssima participação!

Um abraço

Flor ♥ disse...

Dillermando,

A idéia dessa blogagem foi muito boa.
O caso do final feliz aconteceu
comigo e com minha filha.

Um beijo!

Francisco Sobreira disse...

É a violência, Dilermano, que , infelizmente, está se tornardo um fato rotineiro. Muito boa a sua ideia de colocar 2 contos, um dos quais é verídico. E, de fato, pela situação em que vivemos, só poderiamos achar que fosse o primeiro. Surpreende que seja o de "final feliz", mas, pelo menos, nos deixa a esperança de que , a violência possa um dia diminuir. Um abraço.

José Jaime disse...

Dilermando
O final feliz não aconteceu comigo e minha família a um mês atrás fui assaltado e humilhado dentro da minha casa por 3 marginais aramados, de cara limpa, muito educados. Levaram tudo. A revolta não é pelo material mas pela história de cada joia subtraída, da sensação de impotência, a humilhação e no final das contas a forma como você vê a inércia e descrença da polícia, que são verdadeiros sacerdotes, pois não tem condições mínimas de trabalho, por descrença e inmdiferença de um poder judiciário que valoriza mais o bandido que o cidadão de bem. Enfim, parece que ser honesto e correto hoje é crime.
Sinceramente estou completamente descrente de tudo.
Abraços

Adriana disse...

Olá Diler
Simplesmente fantástico!
Ainda bem que o final foi feliz, estamos tão acostumados a finais trágicos, tudo nos leva a pensar desta maneira, a sociedade, a tv os jornais, dá a impressão de que não tem mais jeito, de que estamos apenas esperando o momento ruim.
Realmente as pessoas andam por aí nas últimas...
Diler, parabéns pelo maravilhoso post.

abraços