quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Xadrez e o Poder

Poder
Ao falar de poder não é minha pretensão apresentar novas definições ao assunto, posto que sobre ele debruçaram-se sábios e pensadores em várias épocas. Busco apenas colocar luz sobre alguns aspectos para criar um curioso paralelo entre o poder e jogo de xadrez.
Poder (do latim, potere) é, literalmente, o direito de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou o império de dada circunstância ou a posse do domínio, da influência ou da força.A sociologia define poder, geralmente, como a habilidade de impor a sua vontade sobre os outros, mesmo se estes resistirem de alguma maneira.
Xadrez
Uma batalha entre reis hostis, ambos guardados por imponentes falanges a cavalo e a pé, uma luta de morte, jogada dentro de um complexo conjunto de regras e, de preferência, com pompa e prodigalidade de ornamentos; o jogo que redundou no xadrez, chamado Chaturanga era um belo modelo da política do poder em sua terra natal, a Índia central, tem suas primeiras referências no século VII. O xadrez chegou a Europa Medieval, possivelmente através do mundo islâmico via Espanha e Itália. Espalhou-se rapidamente pelo ocidente. Suas regras evoluíram com o tempo, assim como o estilo de suas peças e o próprio tabuleiro que passou a ter casas alteradas branco e preto. Foi somente por volta século XVIII que o Xadrez chegou a forma pela qual é jogado até nossos dias.
O Xadrez e o Poder
É possível estabelecer uma simbologia entre as peças do Xadrez e as várias formas de poder que conduzem o mundo: Rei e Dama o poder político, Bispos o poder religioso, Cavalos o poder bélico, Torres o poder econômico e finalmente peões o poder popular(ou poder social). Não importa se tal simbologia tenha sido planejada ou surgido naturalmente, o fato é que no Chaturanga já se podia estabelecer paralelo semelhante: Rei, elefante, o cavalo e o carro de guerra e peões, respectivamente poder político, religioso, militar e popular. Assim tanto seus inventores, no oriente, quanto seus desenvolvedores, no ocidente, deram ao jogo, proposital ou intuitivamente, símbolos dos poderes de sua época.
ChessGame3D
Imaginei: E se esse jogo fosse concebido nos dias atuais?…Certamente seria um jogo em 3D, disputado em vários níveis… O rei transformado em presidente da ONU ou um outro líder internacional! Sim, mas e a rainha? Bem, a rainha só apareceria numa fase posterior, em que o rei já não tivesse vidas e tomaria seu lugar! É claro ! Pra cada peão coroado uma nova vida para o rei!… E o bispo? Seria um bispo? Um cardeal? Ou seria um pastor? Um orixá, talvez…Ou quem sabe, um rabino? E os aiatolas? E gurus de toda ordem…Melhor passar para os cavalos: Bem ai temos tanques, aviões, mísseis, satélites espiões, submarinos, porta-aviões e todo tipo de armas! O jogo se transformaria numa espécie de guerra nas estrelas! As torres seriam representadas pelo FMI, ou pela Bolsa de NY, ou por uma dessas torres de "trocentos" andares erguidas no meio do deserto ou no centro de alguma metrópole, quem sabe, uma torre de petróleo? Talves uma torre de transmissão de TV ou rádio...Ah! Os peões…Que figura representaria o peão? Um operário, fuzileiro, ativista, estudante, terrorista, atleta, bancário, funcionário público, ou quem sabe um profissional liberal? Sei lá! Acho melhor continuar jogando meu xadrezinho velho de guerra, só por prazer, e deixar de lado essas idéias! Que isso eu POSSO!

Fontes:Wikipédia, Jogos Antigos e Jogos Tradicionais

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Inspiracâo

Toninho Buda e o original autor do livro Manual do Vampirismo, publicado sob autoria de Paulo Coelho. Aqui esta um texto interessante escrito por ele na noite em que se preparava para comecar a escrever o livro.
Bom proveito!

Na Lua Cheia de Janeiro de 1986

O suor ainda me escorre pelo rosto e tenho a me envolver o cheiro morno e gostoso que me sobe das axilas. Acabo de correr durante uma hora pelas estradas de chão, no meio do mato iluminado pela lua cheia, num céu límpido e povoado de estrelas. Estou num sítio, perto de um vilarejo na região de Juiz de Fora, MG.

Quando me preparava para correr, encontrei dois velhinhos à beira da estrada e um deles me perguntou até onde eu iria correndo. “Até no asfalto”, respondi. Então ele comentou “São mais de 5 quilômetros. Não faço um sacrifício desses nem que me paguem 10 milhões”. Ao que o outro contrapôs, mais otimista? “Pois eu daria 10 milhões para agüentar correr esse pedaço de chão”.

Depois dessa conversa, eu saí correndo e ainda encontrei o Claír, que sempre grita quando me vê “Hê, lá vai, hein, grilo! Tô gostando de vê o aperparo”. “Grilo é a sua mãe!”, eu ainda penso, antes de mergulhar na solidão do cenário fantástico e azulado da estrada prateada pela lua e se perdendo na escuridão. Hoje é Sexta feira, dia 24 de janeiro de 1986.

Eu vim para cá em busca do clima para falar de vampiros, a pedido do meu amigo Paulo Coelho. Enquanto penso no assunto, vou fungando como uma locomotiva o ar já fresquinho da noite, até que depois de uma curva dou de cara com o disco brilhante no horizonte e um arrepio me percorre o corpo todo. Vampiro! E neste exato momento, escuto o arranhar ainda mais arrepiante das garras de um cachorro nervoso no chão seco e duro do leito da estrada, ao arrancar velozmente em direção aos meus calcanhares, rosnando e latindo.

Como os cães ficam excitados nas noites de lua cheia de verão! Levo um susto e experimento um clima de empatia com a fera e começo a ladrar também, avançando para cima daquela massa negra e nervosa, que se apavora e corre. Minha satisfação em latir é muito grande. Me toma. E eu uivo pela estrada afora. Uivo para a lua. Sozinho, correndo, animal na noite escura, suando e gemendo. Estou vivo. E esta plena consciência diante da lua me faz buscar subitamente o lado do poente, onde tudo é escuridão e alguns relâmpagos longínquos prenunciam uma tempestade para daqui a algumas horas.

Então me bate uma certeza: eu também não quero morrer! Eu também quereria podr continuar correndo e uivando como um cão, lobo ou cavalo. Mas daqui a alguns dias, é provável que eu também diga “daria 10 milhões para agüentar correr”. Lembra dos dois velhinhos? O segundo velhinho é mais vampiro. Vampiro é otimista. No entanto, é preciso encarar mais este espelho. Só que este espelho é negro. Mas daqui a três noites, neste plenilúnio de janeiro, tudo estará consumado.


Toninho Buda
(Flamínio de Luna)

Para conhecer mais sobre o autor va ao seu site:
http://www.toninhobuda.com/